A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à atividade econômica em municípios do interior do Brasil. A conclusão consta em um levantamento lançado nesta semana pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.
Segundo o estudo, as aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada têm peso significativo na economia dessas cidades. Os repasses chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres, que usam os recursos integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade.
A pesquisa destaca que o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa. Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas, onde o peso dessas transferências públicas chega a ser o dobro em relação aos grandes centros urbanos.