A baixa percepção de risco por parte da população representa um dos maiores obstáculos para a manutenção das coberturas vacinais no Brasil. A análise foi apresentada por Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, durante entrevista concedida no sábado.
Segundo o especialista, o comportamento humano busca imunização apenas diante de ameaças iminentes, criando um cenário favorável ao retorno de doenças. O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas voltou a registrar a circulação do vírus em 2018, com 21.741 casos em 2019.
O Ministério da Saúde registrou 61 casos de sarampo no território nacional, todos importados e identificados em indivíduos não imunizados. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a transmissão no continente americano atingiu os patamares mais elevados das últimas duas décadas.
A vacinação permanece como a única ferramenta eficaz para prevenir complicações graves e interromper a cadeia de transmissão. O especialista ressaltou que os imunizantes provocam uma falsa sensação de segurança ao reduzirem a incidência de doenças.